Significado paleobiológico de agrupamentos (coloniais/gregários) de Conulariaquichua Ulrich, 1890 (Cnidaria), Formação Ponta Grossa, Devoniano (Pragiano-Emsiano), Bacia do Paraná, Brasil

Sabrina C. Rodrigues, Juliana M. Leme, Marcello G. Simões

Abstract


Resumo. Camadas ricas em conulários da Formação Ponta Grossa (Devoniano) da Bacia do Paraná, sul do Brasil, contêm espécimes de Conulariaquichua Ulrich e Paraconulariaafricana Sharpe bem preservados, muitos em posição de vida. Adicionalmente, um exemplar de C.quichua apresenta cinco faces verdadeiras (ao invés de quatro), constituindo evidência adicional para a afinidade entre conulários e cnidários. Os conulários em rochas do Membro Jaguariaíva (ou Seqüência B, um trato de sistemas trangressivos) que encerra diversos depósitos de sufocamento abaixo de superfícies transgressivas. Dados tafonômicos obtidos dos depósitos de sufocamento mostram que C. quichua e P. africana foram invertebrados sésseis de epifauna originamente orientados com seu eixo maior perpendicular ao fundo e com a região da abertura voltada para cima. Dos 136 espécimes de C.quichua examinados, 125 ocorrem isolados. 11 espécimes de C. quichua formam cinco agrupamentos, consistindo de dois ou três espécimes. Todos os espécimes estão inflados (exibindo seção transversal retangular) ou ligeiramente comprimidos longitudinalmente. Em todos os espécimes o ápice está faltando e, desse modo, o problema se, os agrupamentos são colônias clonais ou formados pelo assentamento preferencial de larvas, não pode ser solucionado. Entretanto, três espécimen de um único agrupamento, todos orientados perpendicularmente ao plano de acamamento, não convergem adapicalmente. Contato entre os espécimes se dá apenas ao longo da porção média/superior das tecas. Essas características, juntamente com a ausência de estolão laminar de brotamento, sugerem que, pelo menos esse agrupamento, foi formado por assentamento preferencial das larvas.


Abstract. PALEOBIOLOGICAL SIGNIFICANCE OF CLUSTERS (CLONAL/GREGARIOUS) OF CONULARIA QUICHUA ULRICH, 1890 (CNIDARIA), PONTA GROSSA FORMATION, DEVONIAN (PRAGIAN-EMSIAN), PARANÁ BASIN, BRAZIL.The “Conularia beds” of the Ponta Grossa Formation (Devonian) of the Paraná Basin, southern Brazil, yield well-preserved specimens of Conulariaquichua Ulrich and Paraconulariaafricana Sharpe. Many of these are preserved in life orientation. Also, one of the C.quichua specimens has five faces instead of four, providing additional evidence of a cnidarian affinity for conulariids. Conulariids occur in the Jaguariaíva Member (or Sequence B, transgressive system tract) containing several obrution deposits beneath marine flooding surfaces. Taphonomic data obtained from these beds show conclusively that both C.quichua and P. africana were epibenthic, sessile invertebrates originally oriented with their long axis perpendicular to the bottom and with their aperture opening upward. Of the 136 C. quichua specimens examined here, 125 occurisolated. Eleven of the C.quichua specimens collectively occur in five discrete clusters consisting of two or three specimens. All of the clustered specimens are fully inflated (exhibiting a rectangular transverse cross section) or slightly compressed longitudinally. In all of these specimens the apex is missing, and thus the problem of whether the clusters were clonal colonies or formed through preferential larval settlement cannot be resolved conclusively. However, in the single cluster consisting of three specimens, the specimens are oriented perpendicular to bedding, and thus they do not converge adapically. The three specimens are in contact with each other along the upper portion of their median region. These and the lack of any evidence of a sheet of budding stolons, suggest that this cluster was formed by preferential larval settlement.